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Paddock Press: Deserto de Emoções

O GP do Bahrein é uma daquelas corridas controversas de tudo. Sobreviveu a uma revolta popular, mudou do dia para a noite… já teve até traçado modificado. Não me surpreende o fato de termos corridas boas e ruins, com o passar dos anos. Que bom que este ano fomos agraciados com uma boa prova, cheia de mudanças.

Poderia dizer que Lewis Hamilton perdeu a corrida na largada. O lado sujo não ajudou na aderência inicial e acabou ultrapassado pelo vencedor Vettel, que aliás fez uma corrida primorosa. Valtteri Bottas fez o que podia, chegando a segurar uma verdadeira procissão atrás dele, mas sua velocidade não era suficiente para garantir sua primeira vitória na categoria, além de ter sido ultrapassado por Hamilton, por ordem da equipe. Ordem completamente razoável, diga-se de passagem, visto que o primeiro não tinha condições de chegar na Ferrari líder, bem como Hamilton precisava compensar os 5 segundos de punição durante o primeiro pit stop.

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Falando no assunto, se não fossem esses 5 segundos de punição, causado por Hamilton ao “segurar a fila” no pit stop do Safety Car, teríamos uma disputa real pela vitória nas últimas voltas.

O acidente de Lance Stroll e Carlos Sainz foi culpa completa do piloto espanhol, que não tinha o direito de enfiar o carro onde não tinha espaço e acabar com a corrida dos dois. Mas um detalhe, que talvez o espanhol tenha visto, me chamou a atenção. Na câmera interna do carro de Stroll, reparei que o mesmo havia errado por pouco o tempo de freada naquela ocasião, que o fez abrir um pouco o raio da curva, ainda que por sorte ele tenha efetuado com a tangência perfeita. Não sei se Sainz viu naquele pequeno erro uma oportunidade de ultrapassagem e, mesmo que tivesse visto, não justifica nem de perto o acidente que causou. Apenas quero colocar mais uma visão ao fato.

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No mais, Max Verstappen tem que aprender a dirigir mais e falar menos. Tem de aprender a ter respeito pelo país que detém 8 títulos mundiais, além de 8 vices. Tem tudo para chegar longe, mas só o vai conseguir com humildade, característica que tem lhe faltado nesses primeiros anos de F1.

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Pela primeira vez em 5 temporadas, temos uma disputa real entre equipes diferentes pelo titulo. A Ferrari ainda está um passo atrás da Mercedes, mas parece ser o suficiente para fazer frente aos Flechas de Prata em determinadas corridas, especialmente as com asfalto mais abrasivo. Os motores possuem performance semelhante em corridas, havendo distinção entre o chassi mais evoluído das Mercedes e a suspensão mais amigável com os pneus da Ferrari.

A Red Bull era para estar nesse entrevero, mas alguns atrasos podem estar colocando a temporada deles em xeque já neste começo. Ainda aguardam a estreia de algumas peças aerodinâmicas, bem como uma nova versão do motor Renault (eles ainda correm com a última versão de 2016). Ainda assim, conseguem fazer alguma frente às duas lideres, por alguns momentos.

Será que a Ferrari vai continuar acompanhando de perto as atuais campeãs? Será que as evoluções esperadas pela Red Bull vão ser suficientes para alcançar vitorias, mesmo depois das esperadas evoluções do começo da temporada europeia? Apenas em Barcelona é que vamos saber onde estão realmente essas três potências.

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Na cerimônia do pódio, duas coisas me chamaram a atenção:

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• A cara de poucos amigos de Valtteri Bottas. Estaria relacionado à ordem da equipe? Seria isso uma autocrítica, pelo desempenho ruim? Ou seriam as duas coisas?

• Descobri que Sebastian Vettel sabe o mesmo trecho que eu do hino italiano: “…DI ROMA…”

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