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Paddock Press: Canguru Surpreso

O GP da Austrália, disputado nas ruas da cidade de Melbourne, dentro do Albert Park, costuma ser uma corrida de surpresas. Primeiro, por ser a primeira corrida da temporada, os carros ainda não estão em seu estado completo de maturação. Afinal, 8 dias de testes não são suficientes para tal. Segundo que, com a costumeira implantação de novas regulamentações técnicas, a ordem de forças tende a se mexer, mesmo que um pouco. Com isso, as chances de surpresas se tornam altas.

Começo falando do pacote Red Bull-Honda. Como comentei na pré-temporada, finalmente Adrian Newey conseguiu o que queria: uma montadora que trabalhasse em função de seus carros. Com a fornecedora de motores trabalhando em prol de um carro, fica mais fácil aproveitar todos os espaços do carro e aumentar ao máximo sua eficiência dinâmica (mecânica e aerodinâmica). Max Verstappen foi eficiente e competitivo o final de semana inteiro, culminando com a terceira colocação na corrida, o primeiro pódio da Honda desde que retornou a F1 em 2016. Aguardem um crescimento ainda maior da Red Bull durante a temporada. Para ser sincero, ainda não tenho ideia de quanto esse carro pode crescer durante o ano e esse potencial pode trazer o caos ao balanço de forças da Formula 1 nesta temporada. E podem esperar também o mesmo da Toro Rosso, pois a proximidade técnica entre elas aumentou bastante neste ano. Diria ate que a ultima vez que estiveram assim próximas foi em 2008, ano da única vitória da equipe.

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Imagem: Formula1.com

Não achei legal o tratamento da Renault para com seu novo piloto, o australiano Daniel Ricciardo. Devido a um erro do australiano logo na largada, onde ele se jogou um pouco na grama no lado direito da reta e quebrou a asa dianteira ao passar por uma depressão local, o piloto sofreu algumas criticas do diretor Cyril Abiteboul. Entre outras declarações, Cyril disse que o australiano foi “inocente” no erro. Sinto muito pelo francês, mas poderia ter ficado calado. Primeiro, porque Ricciardo é um piloto que só não disputou um titulo porque nunca teve carro para tal. Além disso, Daniel possui mais vitorias como piloto na F1 que Cyril como diretor de uma equipe, que representar uma montadora, com participação estatal. De forma alguma critico o trabalho de Cyril, afinal ele pegou uma equipe do começo e está crescendo num bom ritmo, bem sustentável. Ao mesmo tempo, o francês precisa se dar uma dose de humildade e reconhecer publicamente a importância do piloto que contrataram.

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Imagem: Formula1.com

Charles Leclerc é rápido e habilidoso. Mas sua baixa idade indica sua imaturidade. Perguntar para a equipe “se pode ou não ultrapassar seu companheiro” pode ter carimbado seu papel de “escudeiro” para essa temporada. Nada de errado nisso, afinal é inexperiente e seu companheiro é 4 vezes campeão do mundo. Tem de tomar cuidado apenas em não deixar esse “carimbo” nortear sua carreira. Eu não acredito que vá acontecer de fato, mas o perigo está aí.

A decepção do final de semana está em Pierre Gasly, que sequer pontuou com um carro que chegou no pódio. É apenas a primeira corrida, mas ele deve ficar esperto para já. Particularmente, nunca achei ele nada demais como piloto, enquanto eu via outros especialistas enaltecendo ele como “nova geração da vencedora escola de pilotos da Red Bull”. Vamos continuar analisando esse francês bem de perto e espero sinceramente que eu queime minha língua.

Fiquei gratamente surpreso com a Racing Point. Para uma equipe que eu julgava ser uma incógnita, dada sua mudança de comando durante a ultima temporada, correu solida e relativamente rápida. Lance Stroll chegou nos pontos e Sergio Perez esteve sempre naquele forte e disputado pelotão do meio. É um ótimo sinal para uma equipe em reconstrução.

Em compensação, a Williams… Essa vai ter bastante trabalho. Será um ano difícil em Grove…

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Imagem: Formula1.com

Deixei de proposito para o fim comentar do vencedor da corrida, Valtteri Botttas, e seu golpe de mestre na largada. Em nenhum momento do final de semana ele mostrou estar mais rápido que o companheiro, o atual campeão Lewis Hamilton. Sua largada genial o colocou na posição de vitória logo na primeira curva, posto que não largou ate a bandeirada. Eu esperava isso dele? Sim, mas acreditava que isso poderia ter vindo ainda no ano passado. O campeonato está decidido a favor do finlandês? Nem de perto! Seria leviano dar esse veredito por ter vencido a primeira prova, num campeonato de 21 etapas. A disputa está aberta entre os pilotos da Mercedes? Está sim. Ao menos, ate o fim da temporada europeia.

A próxima etapa será neste próximo domingo, no principado do Bahrein. É mais uma das corridas que se tornaram noturnas, para se adaptarem aos horários europeus. Por isso, a corrida será ao meio dia, muito agradável aos fãs brasileiros, que poderão dormir ate tarde.

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Não posso deixar de mencionar a historia sendo feita em COTA, neste domingo. Aos 18 anos e 11 meses, Conlon Herta se tornou o vencedor mais jovem da historia da Formula Indy. Correndo pela equipe em que o pai, o ex-piloto Bryan Herta, é sócio, venceu na estreia do circuito que também compõe o calendário da F1, tirando de Graham Rahal o titulo de vencedor mais jovem da categoria. Curiosamente, o pai de Graham, o tricampeão Bobby Rahal, era chefe e companheiro de Bryan Herta nos anos iniciais de sua carreira.

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