Colunas, F1, GP do Brasil, Paddock Press 0

Paddock Press: Uma Verdadeira Feijoada

Os meus leitores já sabem que Interlagos é uma das corridas must see da temporada, na minha opinião. Suas longas retas e a condição meteorológica instável ajudam a dar aquele grau de imprevisibilidade ao resultado da corrida. Na edição deste ano não houve a esperada chuva, mas não foi necessária.

Os treinos mostravam algo completamente novo para Interlagos, mas que teve certa normalidade na temporada. A Ferrari mostrou velocidade num traçado que a Mercedes dominou nos últimos anos, culminando com alguns especialistas (eu entre eles) apostando na vitória de Vettel. E imprevisível como é, erramos.

Começo falando de táticas de pneus. Baseado nas previsões fornecidas pela Pirelli, Ferrari e Mercedes partiram para estratégias mais longas, com compostos mais duros (no caso, os médios). Esse tipo de situação costuma ser benéfica em pistas com longos trechos de retas, por atacar menos os compostos. A Red Bull agiu diferente, segurando os carros com compostos supermacios por mais tempo, trocando depois por compostos macios. A tática foi o “pulo do gato” da equipe dos energéticos, principalmente porque os compostos médios não duraram o que se esperava, nem rendiam bem a longo prazo. Os dois carros austríacos foram os que mais desenvolveram depois das trocas, com Ricciardo ganhando terreno o tempo todo e Verstappen tendo uma chance real de vitória, em um circuito que não privilegia seus motores.

Para os carros da Mercedes, foi uma corrida atípica, estranha, ainda que com bons resultados finais. Reparei as velocidades finais dos dois carros prateados durante a prova, consistentemente mais baixos que Ferrari e Renault (Red Bull). Inicialmente, pensei ser um acerto com mais asa, privilegiando os trechos de curva, mas as constantes reclamações de Hamilton com “perdas de potência” me fizeram repensar esse conceito. Não sei se era realmente um erro de calibragem com relação ao acelerador (isso explicaria uma perda de potência “do nada”), se os motores mostraram algum sinal de fadiga ou se era apenas um “chororô” de Lewis Hamilton por estar rodando mais lento que gostaria. O que vi foram números de speed trap bem fracos, estando sem vácuo e/ou asa aberta. Vamos ver se a Mercedes se pronuncia a respeito durante a semana, mas é algo que vale ficar de olhos e ouvidos abertos.

O vencedor seria o rápido garoto Max Verstappen, se não fosse uma atitude pra la de impensada do retardatário Esteban Ocon. O líder Max tinha ultrapassado durante a subida da reta, mas o francês tentou ultrapassar de volta. Nada errado, até aí, mas deveria ter respeitado a condição de líder de Verstappen e tirado o pé. O holandês não esperava ver o retardatário vindo por dentro na segunda perna do S do Senna e os dois bateram. Tal acidente tirou as chances de vitória do garoto holandês. Ocon teve uma punição de Stop and Go de 10 segundos, mas achei até pouco. Apenas uma desclassificação direta seria punição minimamente suficiente, acredito eu.

Independente dos erros alheios, foi a quarta corrida no ano que caiu no colo do campeão Hamilton, que venceu pela segunda vez em terras brasilis, seguindo firme e forte rumo aos recordes de Michael Schumacher. A Mercedes garantiu seu quinto titulo em 5 anos e vai para Abu Dhabi apenas com a missão de fazer Valtteri Bottas garantir o terceiro lugar no mundial de pilotos, daqui a duas semanas.

***

A convivência com os amigos do automobilismo me inspirou a escrever algumas palavras sobre esse ano da Ferrari, bizarro em minha opinião. Semana que vem, escrevo algumas palavras a respeito.

You Might Also Like

No Comments

Leave a reply